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São Sebastião-SP "Ataque ao jornal Imprensa Livre" PDF Imprimir E-mail
19 de maio de 2006

Trabalhei no jornal "O São Paulo ", da Cúria Metropolitana, com dom Paulo Evaristo, durante a repressão. Tínhamos censura e quando os censores retiravam uma matéria substituíamos por anúncios do mesmo tamanho com uma única frase: "Leia e Assine o São Paulo ". Nunca, no entanto, a repressão chegou ao ponto de empastelar "O São Paulo".

Os anos se passaram e eu pensava que censura e atos de vandalismo contra jornais nunca mais seriam vistos neste país. Como vimos, estava enganada.

Toda a minha solidariedade ao jornal Imprensa Livre. E que isso nos sirva - coloco-me junto à redação, como colega, colaboradora, amiga - que isto nos sirva de estímulo para continuar a luta.

De agora em diante, meu lema é este "Leia e Assine o Imprensa Livre".

Grande abraço

Regina Helena de Paiva Ramos - secretária - Federação Pró Costa Atlântica

________________________________________________________________________

São Sebastião SP “Bandidos atacam Imprensa Livre durante a madrugada”

Cesar Rodrigues

Pelo menos três bandidos fortemente armados , inclusive com uma arma de grosso calibre, provavelmente uma espingarda calibre 12, atacaram o jornal Imprensa Livre por volta das 04h00 da madrugada da última quinta-feira.

Os marginais invadiram o prédio do jornal pelo parque gráfico e renderam os trabalhadores do setor. A seguir, invadiram a sala de diagramação do jornal e renderam o profissional do setor.

Numa ação rápida, os bandidos passaram a jogar gasolina no parque gráfico e incendiaram uma impressora, uma guilhotina e toda a edição do Imprensa Livre que estava prestes a ir para as bancas.

Por diversas vezes os bandidos gritavam advertências para que o jornal não divulgasse informações sobre o PCC (Primeiro Comando da Capital). Contudo, a direção do jornal não acredita que o atentado tenha ligação com as últimas investidas patrocinadas pela facção criminosa nas várias cidades do Estado de São Paulo.

Os bandidos agrediram com empurrões e chutes quatro gráficos e um diagra-mador do jornal.

Durante o ataque os marginais obrigaram os funcionários a deitar no chão da gráfica e apontaram as armas para a cabeça deles. Depois de atearem fogo nas máquinas e explodirem um ‘coquetel molotov’, os bandidos fugiram a pé. Além dos funcionários rendidos, trabalhavam durante a madrugada no Imprensa Livre mais dois jornalistas e um fotógrafo que, por pouco, escaparam da ação dos marginais.

Um dos jornalistas, ao ouvir barulho e gritos no parque gráfico, conseguiu se esconder em outro departamento do jornal. O outro jornalista e o fotógrafo haviam saído minutos antes da chegada dos marginais ao parque gráfico do jornal, para uma reportagem no Pronto Socorro da área central de São Sebastião, onde quatro homens também fortemente armados renderam funcionários e médicos, invadiram o P.S. e mataram a tiros um paciente, baleado na última segunda-feira, e que estava em um dos quartos do Hospital de Clínicas.

Quando estes profissionais retornavam da cobertura no Hospital de Clínicas, exatamente ao tentar estacionar o veículo na rua Mansueto Pierotti, depararam-se com os bandidos, que acabavam de praticar o atentado contra o jornal. Eram três homens de porte médio, que estavam vestindo blusões e calças pretas.

Os repórteres não conseguiram ver os rostos dos bandidos que estavam cobertos por capuzes (tipo ninja) também pretos.

Neste momento, os repórteres até imaginaram tratar-se de uma operação da Polícia Civil, cujos trajes também são negros, à caça de algum marginal que eventualmente tivesse escapado da cadeia, que fica a poucos quarteirões do jornal.

A reduzir a velocidade do veículo para estacionar, o repórter e o fotógrafo tiveram certeza de tratar-se de alguma investida contra o jornal, pois o bandido, apontando a calibre 12 em direção ao carro,disse apenas “vaza, vaza”.

A seguir, elejuntou-se aos outros dois e os marginais escaparam em disparada, à pé,pela rua professor Ursulino Barbosa, alcançando a seguir a rua Caraguatatuba, correndo no sentido de quem vai em direção ao Terminal Rodoviário.

Os repórteres, então, ingressaram na rua que dá acesso à gráfica e, ao reparar que o maquinário estava em chamas, certificaram-se visualmente do atentado e rumaram de volta ao Hospital de Clínicas, onde tinham certeza que encontrariam viaturas da PM para atender à ocorrência.

Comunicaram o fato rapidamente ao chegar aos poli-ciais e quatro deles, em duas viaturas rumaram em direção ao jornal. Cinco minutos após os repórteres também retornaram em direção ao Imprensa Livre e na rua Caraguatatuba, já na Vila Amélia, viram uma viatura da Polícia Civil em busca de suspeitos em uma casa abandonada, muito provavelmente os bandidos que minutos antes haviam atacado o jornal, já que os policiais confirmaram que os mesmos vieram da direção do prédio, onde a gráfica estava em chamas.

Tanto a Polícia Militar quanto o Corpo de Bombeiros chegaram ao Imprensa Livre não muito tempo após a fuga dos marginais, uma vez que foram acionados quando os bandidos ainda agiam na gráfica, por telefonemas de vizinhos do jornal.Ao mesmo tempo uma viatura da Polícia Civil chegou ao local, para colher informações sobre o atentado.

De todo o bruto episódio restaram apenas danos materiais à gráfica do jornal, cujos valores ainda não foram calculados.

Isso graças a eficaz atuação dos funcionários do Imprensa Livre, que mesmo diante de uma truculência jamais vista na história jorna-lística da região, sem precedentes nem mesmo nos “anos de chumbo” da ditadura militar, conseguiram manter a calma o suficiente para escaparem ilesos nos minutos em que ficaram sob a mira das armas dos marginais.

A direção do Imprensa Livre em nota distribuída nas primeiras horas da manhã, via internet, comunicou aos seus milhares de leitores que “não será um atentado terrorista, como este sofrido na madrugada de quinta-feira, que vai calar a sua linha editorial, sempre pautada na busca da verdade e no trabalho jornalístico da mais absoluta imparcialidade, cobrindo e investigando os fatos como realmente eles são e informando de forma precisa todo o Litoral Norte do Estado de São Paulo”.

José Cardim de Souza

“Já senti o mesmo problema na pele há dois meses e meio quando incendiaram o meu escritório. Acredito que esse nefasto atentado ao Imprensa Livre partiu do mesmo grupo, das mesmas pessoas. Espero que consigamos desvendar logo esses criminosos para acabar com essa máfia que está escondida no anonimato. No meu caso tentaram intimidar um representante da comunidade. O fogo no Imprensa Livre é o mesmo que querer calar toda a comunidade”. José Cardim de Souza, vereador São Sebastião.

Paulo Henrique Santana – PH

“A informação é peça-chave da democracia. Aqui, em São Sebastião, quem melhor resume esse pensamento é o Imprensa Livre. Não acredito que esse truculento atentado contra o jornal tenha partido do PCC.Ainda neste momento delicado, o que nos preocupa é que só agora o prefeito prega o fechamento da cadeia de São Sebastião, muito tempo depois das iniciativas da OAB e da Sociedade Amigos da Vila Amélia. A lição que fica nesse triste episódio é que temos que somar esforços a fim de encontrar mecanismo para restabelecer a paz na cidade”. Paulo Henrique Santana – PH, vice-prefeito de São Sebastião.

Solange Ramos

“Eu fiquei muito sentida com essa agressão contra o Imprensa Livre, o único diário da cidade. Quero me colocar à inteira disposição para ajudar o jornal no que for preciso. Lamento também a onda de violência na cidade. No meu bairro, nos últimos dias também foram mais duas morte e, Maresias, está um terror. Infelizmente os bandidos estão mandando mais que a Polícia. Vamos lutar para mudar isso”. Solange Ramos, vereadora São Sebastião.

Wagner Teixeira

“Vejo este atentado com profunda tristeza e indignação. Mas, quem sabe é este o preço que o Imprensa Livre tenha que pagar por praticar um jornalismo investigativo, mostrando os acontecimentos verídicos da nossa região. Temos certeza absoluta que esta foi uma ação de aproveitadores, não sabemos com quais intenções, não tendo nada a ver com PCC. Dessa vez foram só danos materiais, da próxima vez podem ser vidas. Vamos levar às autoridades estaduais a insegurança da cidade. Estou inclusive determinando ponto facultativo no Legislativo por causa da violência”. Wagner Teixeira, vereador presidente da Câmara Municipal de São Sebastião.

Félix Geléia

“É lastimável essa agressão contra o Imprensa Livre, o principal veículo de comunicação da cidade. Coisas desse tipo só não vão mais acontecer com o aumento dos investimentos na área de segurança. Esperamos que os bandidos sejam presos o mais rápido possível”. Félix Geléia, vereador São Sebastião.

Robson Ceará

“A agressão ao Imprensa Livre é lamentável. O que está acontecendo em nossa cidade parece filme de terror. Também sou morador da Vila Amélia e estou atordoado. Graças a Deus não ter acontecido nada com os funcionários do jornal. Espero que a Polícia encontre o mais rápido possível os responsáveis por este triste episódio. Aproveito para lamentar também a triste situação da cadeia da cidade que mais parece uma casca de ovo. Como parlamentar vamos agir buscando mais efetivo para a nossa PM e vou pedir ao prefeito que agilize a contratação dos 60 guardas municipais para ajudar a amenizar a situação”. Robson Ceará, vereador São Sebastião.

ANJ PRESTA SOLIDARIEDADE AO IMPRENSA LIVRE

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta profunda preocupação com o atentado sofrido nesta madrugada pelo jornal Imprensa Livre. É assustador e revoltante o ato criminoso de três bandidos que invadiram seu parque gráfico, renderam funcionários e incendiaram equipamentos, exemplares do jornal e material de impressão.

Nos últimos dias, o jornal havia sido ameaçado de interdição por parte da Prefeitura de São Sebastião, o que foi possível evitar graças a liminar concedida pela Justiça. É importante assinalar que o Imprensa Livre vinha noticiando com freqüência suspeitas de irregularidades na administração municipal.

Embora não seja possível ainda relacionar o revoltante atentado desta madrugada à tentativa da Prefeitura de impedir o funcionamento do jornal, é imprescindível que as autoridades policiais apurem com urgência toda a verdade dos fatos.

A ANJ se solidariza com o Imprensa Livre e aguarda imediata apuração do crime e punição dos culpados A liberdade de informação é um direito da sociedade, que não pode ser ferido pelo terror e a violência.

Associação Nacional de Jornais Brasília, 18 de maio de 2006

Nota da ABI – Associação Brasileira de Imprensa

O presidente da ABI – Associação Brasileira de Imprensa, Maurício Azedo, através de telefonema ao editor chefe do Imprensa Livre, manifestou sua indignação pelo atentado cometido contra o jornal.

Maurício Azedo hipotecou a solidariedade da ABI, em nota na qual repudia “a brutalidade do atentado contra o parque gráfico, a redação e os trabalhadores do jornal”. Segundo ele, “o episódio indica uma exasperação de interesses contrariados, que devem procurar outras formas de manifestação, que não a violência”.

O presidente da ABI informou que a entidade está se dirigindo ao Governo Paulista solicitando seu empenho para a apuração e punição dos responsáveis pelo atentado.

Fonte www.imprensalivre.com.br   19/5/2006 8:02